Simulador de Empréstimo Consignado: Quanto Posso Pegar e Qual a Parcela

Quanto você pode pegar de empréstimo consignado depende de três números: sua renda, a margem consignável da sua categoria (35% do salário ou benefício para o empréstimo em si) e a taxa de juros cobrada — que só tem teto fixado por lei para quem recebe pelo INSS. O simulador acima calcula os dois lados da conta: quanto dá para pegar emprestado a partir do que cabe no seu orçamento, ou qual será a parcela de um valor que você já decidiu pedir, comparando o resultado com a margem da sua categoria (INSS, CLT ou servidor público).

Como funciona a margem consignável

A margem consignável é o limite de quanto da renda pode virar parcela de consignado, e ela não é igual para todo mundo. Para o empréstimo em si, o teto é 35% do salário ou benefício nas três categorias — INSS, CLT e servidor público. Em cima disso, existe uma fatia extra reservada a cartão consignado: mais 5% para quem é CLT (total de 40%) e mais 5% + 5% para quem recebe pelo INSS, uma fatia para cartão de crédito consignado (RMC) e outra para cartão consignado de benefício (total de 45%). Servidor público federal fica de fora dessa conta fechada: a norma que fixava o percentual foi alterada mais de uma vez desde 2022 sem um número consolidado claro, por isso o simulador não crava um percentual para essa categoria — ele pede a parcela que cabe no orçamento e calcula o valor máximo a partir dela. Quem pode contratar cada tipo e a base legal completa estão no guia de empréstimo consignado.

Como calcular passo a passo

O cálculo usa a tabela Price, a mesma fórmula de financiamentos e consórcios. Para descobrir quanto dá para pegar: confirme a taxa mensal da sua categoria — o simulador já sugere o teto do INSS ou a média de mercado para CLT e servidor público, mas dá para editar —, calcule a parcela livre (35% da renda, ou a parcela que cabe no orçamento no caso de servidor público) e aplique-a com o prazo na fórmula do valor presente. Para descobrir a parcela de um valor já decidido, o caminho é o inverso: parte do valor emprestado, da taxa e do prazo, chega na parcela mensal, e o simulador compara o resultado com a margem livre da categoria para dizer se cabe.

Fórmula

PV = PMT × (1 − (1 + i)⁻ⁿ) / i acha o valor máximo a partir da parcela livre; PMT = PV × i / (1 − (1 + i)⁻ⁿ) acha a parcela a partir do valor pedido. Em ambas, i é a taxa mensal em decimal (1,85% ao mês entra como 0,0185) e n é o número de parcelas. Com taxa zero — caso de borda raro no consignado, mas tratado pelo simulador —, elas caem para PV = PMT × n e PMT = PV ÷ n.

Teto de juros por categoria

Só o consignado do INSS tem teto de juros fixado por norma — os das outras categorias são referência de mercado, editável no simulador:

CategoriaTeto/referência de jurosAo anoNatureza
INSS — empréstimo comum1,85% a.m.24,60% a.a.Teto legal (CNPS/MPS 1.368/2025)
INSS — cartão consignado (RMC/benefício)2,46% a.m.33,86% a.a.Teto legal (CNPS/MPS 1.368/2025)
CLT / setor privado3,6603% a.m.53,94% a.a.Referência de mercado (BCB) — sem teto legal
Servidor público1,8081% a.m.23,99% a.a.Referência de mercado (BCB) — sem teto legal

Exemplo prático

Um aposentado do INSS com benefício de R$ 2.000 tem parcela livre de R$ 700 por mês (35%). Ao teto legal de 1,85% ao mês, em 60 parcelas, isso dá direito a até R$ 25.240,92 emprestados. Se em vez disso ele já sabe que quer pegar R$ 20.000 em 60 vezes, a parcela sai em R$ 554,65 — 27,7% da renda, dentro do limite de 35%. Já um empregado CLT com salário de R$ 3.000 tem parcela livre de R$ 1.050 (também 35%); usando a taxa de referência de mercado (53,94% ao ano, ou 3,6603% ao mês), em 48 parcelas ele consegue pegar até R$ 23.577,74 — bem menos que o dobro do valor do INSS, mesmo com o mesmo percentual de margem, porque a taxa é quase o dobro.

Por que a mesma parcela cabe para um e estoura para outro

Pedir o mesmo valor, no mesmo prazo, dá parcelas bem diferentes dependendo da categoria — porque a taxa muda. Um pedido de R$ 15.000 em 48 parcelas sai R$ 474,22 no INSS (taxa de 1,85% ao mês) contra R$ 668,00 no consignado CLT (taxa de referência de 3,6603% ao mês). Com uma renda de R$ 3.000, a parcela do INSS consome 15,8% da renda, bem abaixo do limite de 35%; a parcela do CLT consome 22,3% — ainda cabe, mas usa quase 50% a mais da margem disponível para o mesmo valor pedido. Quanto maior a taxa, mais rápido a parcela esbarra no teto de 35%, mesmo com a mesma renda e o mesmo valor emprestado — por isso vale sempre comparar a taxa oferecida com a média de mercado da categoria antes de fechar negócio.

A armadilha do cartão consignado (RMC) no resultado do simulador

O simulador desta página calcula só o empréstimo consignado tradicional — a fatia de cartão consignado (RMC e cartão-benefício) que aparece no resultado do INSS é só informativa, sem cálculo de parcela ou amortização, porque o cartão consignado funciona de um jeito diferente. No RMC, o desconto automático em folha ou benefício cobre apenas o pagamento mínimo da fatura, dentro dessa fatia de até 5% (ou 10% no INSS) da margem; o resto vira rotativo do cartão, com juros na faixa do rotativo comum — bem mais caro que o teto do consignado. Como o desconto nunca cobre a fatura inteira, o principal pode não abater na prática. Se o resultado do simulador mostrar uma fatia de cartão disponível, trate-a como um limite de gasto num cartão comum, não como um empréstimo com parcela fixa — o empréstimo consignado tradicional, que é o que o simulador calcula, é a opção mais segura.

Quando usar e erros comuns

O simulador serve para estimar antes de negociar — a proposta final do banco pode variar a taxa e cobrar tarifas específicas do contrato. Erros comuns: confundir teto de juros com margem consignável (só o INSS tem teto de juros fixado por norma, mas a margem de 35% para o empréstimo vale para as três categorias); achar que a taxa sugerida para CLT ou servidor público é um limite legal, quando na verdade é referência de mercado, editável; e usar o resultado do simulador para decidir sobre cartão consignado (RMC), já que ele calcula só o empréstimo tradicional. Antes de contratar, vale conferir o impacto no orçamento com a calculadora de salário líquido (para CLT) e comparar a taxa oferecida com outras linhas, como cheque especial; para quem já está com o orçamento apertado, o guia de como sair das dívidas ajuda a organizar as prioridades, e manter um bom score de crédito pesa na taxa negociada, principalmente onde não há teto legal.

Perguntas frequentes

Qual é a margem consignável em 2026?

A margem consignável para o empréstimo em si é 35% da renda nas três categorias — INSS, CLT e servidor público. Em cima disso, existe uma fatia extra para cartão consignado: mais 5% para CLT (total de 40%) e mais 5% + 5% para o INSS, uma fatia para cartão de crédito consignado e outra para cartão-benefício (total de 45%). Servidor público federal não tem um percentual fechado nesta apuração — a norma que definia o limite foi alterada mais de uma vez desde 2022, então o simulador desta página pede a parcela que cabe no orçamento em vez de calcular um percentual para essa categoria.

Qual é o teto de juros do consignado?

Só o consignado do INSS tem teto de juros fixado por norma: 1,85% ao mês para o empréstimo comum e 2,46% ao mês para o cartão de crédito consignado e o cartão consignado de benefício, segundo a Resolução CNPS/MPS nº 1.368/2025. CLT e servidor público não têm teto legal — a taxa é negociada livremente, e por isso costuma ficar bem mais alta: a média de mercado do consignado CLT gira em torno de 53,94% ao ano, contra 24,60% ao ano do teto do INSS.

Como o simulador calcula o valor máximo que dá para pegar?

Usa a fórmula do valor presente da tabela Price: PV = PMT × (1 − (1 + i)⁻ⁿ) / i, em que PMT é a parcela livre (35% da renda informada, ou a parcela que você digitar, no caso de servidor público), i é a taxa mensal em decimal e n é o prazo em meses. É a mesma fórmula usada em financiamentos e consórcios — só muda o que entra como parcela: aqui é o limite da margem consignável, não um valor arbitrário.

O simulador calcula o cartão consignado (RMC)?

Não. Ele calcula só o empréstimo consignado tradicional, com parcela fixa e prazo definido. O cartão de crédito consignado (RMC) funciona diferente: o desconto automático cobre apenas o pagamento mínimo da fatura, e o saldo que sobra vira rotativo do cartão, com juros bem mais altos que o teto do consignado. A fatia de margem reservada a cartão que aparece no resultado do INSS é só informativa.

Por que servidor público não tem margem em porcentagem no simulador?

Porque não existe, nesta apuração, um percentual fechado e vigente para servidor público federal: os dispositivos da Lei 8.112/1990 que fixavam esse limite foram alterados por medidas provisórias e leis posteriores a partir de 2022, sem um número consolidado claro no texto legal vigente. Para não publicar um percentual que pode estar desatualizado, o simulador pede diretamente a parcela que cabe no orçamento, em vez de calculá-la a partir de uma porcentagem da renda.